Cleitinho confirma pré-candidatura ao Governo de Minas, mas ainda depende do Republicanos
Senador encerra período de indefinição e afirma que pretende disputar o Palácio Tiradentes; candidatura ainda precisa ser aprovada na convenção partidária
O senador Cleitinho Azevedo confirmou que pretende disputar o Governo de Minas Gerais nas eleições de 2026. O anúncio foi feito durante uma entrevista coletiva em Divinópolis, ao lado do prefeito de Patos de Minas, Luís Eduardo Falcão, apontado como possível candidato a vice-governador.
“Que fique claro aqui que eu e Falcão somos pré-candidatos a governador”, declarou Cleitinho. Apesar da confirmação pública, a candidatura ainda depende do aval do Republicanos, partido ao qual o senador é filiado.
A declaração ocorre após dias de tensão entre Cleitinho e dirigentes da legenda. O senador não participou da convenção estadual do Republicanos, realizada no último fim de semana, o que aumentou as dúvidas sobre sua disposição de concorrer.
Ausência na convenção gerou críticas
Dirigentes do Republicanos afirmaram que o partido aguardava havia meses uma decisão definitiva do senador. A legenda chegou a divulgar uma nota mencionando sinais contraditórios e mudanças de posicionamento.
Cleitinho contestou as críticas e afirmou que o atraso na decisão esteve relacionado ao momento de luto enfrentado por sua família. Seu irmão mais novo, Matheus Azevedo, morreu em 18 de julho, após complicações provocadas por uma leucemia.
O senador disse respeitar o presidente nacional do Republicanos, deputado Marcos Pereira, mas rejeitou a avaliação de que teria perdido o momento político para lançar sua candidatura.
A manifestação pública, contudo, não encerra completamente a disputa interna. Para entrar oficialmente na eleição, Cleitinho precisa ter o nome aprovado pelo partido e posteriormente registrado na Justiça Eleitoral.
Republicanos tem a palavra final
A legislação brasileira não permite candidaturas independentes. Por isso, ainda que um político anuncie publicamente sua intenção de concorrer, cabe ao partido escolher seus candidatos durante as convenções.
Cleitinho também não teria tempo hábil para mudar de legenda e disputar o governo por outro partido. O prazo de filiação partidária exigido para as eleições terminou em 4 de abril. Embora senadores possam trocar de partido sem perder automaticamente o mandato, uma mudança agora não atenderia ao prazo mínimo de filiação para concorrer em 2026.
As convenções partidárias seguem até 5 de agosto, enquanto os pedidos de registro das candidaturas deverão ser apresentados à Justiça Eleitoral até 15 de agosto.
Isso significa que os próximos dias serão decisivos para saber se o Republicanos aceitará a pré-candidatura ou se manterá as negociações com outros grupos políticos.
Pesquisas colocam Cleitinho na liderança
A movimentação ganhou importância porque Cleitinho aparece na liderança das pesquisas de intenção de voto para o Governo de Minas.
Levantamentos recentes colocam o senador com índices entre 34% e 35%, à frente dos demais nomes apresentados aos entrevistados. Em um dos cenários, o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil aparece na segunda colocação, com 12%. UOL
A vantagem nas pesquisas transformou Cleitinho em uma peça importante nas negociações estaduais e nacionais. O PL havia indicado apoio ao senador e aguardava sua decisão antes de definir um candidato próprio em Minas Gerais.
O estado possui o segundo maior colégio eleitoral do país e será estratégico também para a disputa presidencial. Uma candidatura competitiva ao governo pode fortalecer o palanque de Flávio Bolsonaro em Minas.
Marcelo Aro permanece como alternativa
Durante o período de indefinição, setores do Republicanos passaram a defender uma composição em torno do ex-senador Marcelo Aro, filiado ao PP. Ele permanece como uma possível alternativa caso a candidatura de Cleitinho não seja confirmada.
Aliados do senador agora tentam reconstruir o diálogo com a direção nacional do Republicanos. O principal desafio será transformar o anúncio feito em Divinópolis em uma decisão formal da legenda.
A pré-candidatura, portanto, está publicamente lançada, mas ainda não é definitiva. A palavra final será dada pelo Republicanos dentro do calendário estabelecido pela Justiça Eleitoral.
