Lula e Flávio abrem campanha em territórios simbólicos e colocam segurança no centro da eleição
Petista inicia caminhada eleitoral em São Bernardo do Campo, enquanto candidato do PL reúne apoiadores em Copacabana e reforça ligação com Jair Bolsonaro
A campanha eleitoral de 2026 começou oficialmente neste domingo (16) com movimentos simbólicos dos dois candidatos que aparecem à frente nas pesquisas presidenciais.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) iniciou sua tentativa de reeleição em São Bernardo do Campo, município ligado à sua trajetória sindical. Flávio Bolsonaro (PL), por sua vez, escolheu Copacabana, no Rio de Janeiro, um dos principais palcos das manifestações bolsonaristas.
Os atos mostraram estratégias diferentes, mas também um ponto em comum: a segurança pública deverá ocupar posição central na disputa pela Presidência da República.
Lula volta às origens políticas
Lula abriu a campanha no Estádio Primeiro de Maio, local onde liderou grandes assembleias de trabalhadores durante as greves do ABC Paulista.
O evento apresentou o slogan “O Brasil pronto para mais” e utilizou a expressão “Onde tudo começou”, reforçando a tentativa de reconectar o presidente à sua origem sindical e à própria história do Partido dos Trabalhadores.
Ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin, da primeira-dama Janja, de Fernando Haddad e de outras lideranças, Lula falou sobre soberania nacional, políticas sociais e participação feminina.
A presença das mulheres teve destaque durante o evento. Janja homenageou Marisa Letícia, ex-primeira-dama falecida em 2017, lembrando sua participação nos bastidores da formação do PT e do movimento sindical.
Segurança entra no discurso petista
Lula voltou a defender a criação de um Ministério da Segurança Pública, condicionado à aprovação da PEC da Segurança no Congresso Nacional.
A proposta busca reorganizar a participação do governo federal no combate à criminalidade, preservando atribuições dos estados, mas ampliando a integração das forças policiais.
A segurança é uma área na qual a oposição pretende pressionar o governo durante a campanha. A decisão de tratar do assunto logo no primeiro evento indica que o PT tentará reduzir a vantagem discursiva historicamente explorada pela direita.
Flávio aposta no legado de Jair Bolsonaro
Em Copacabana, Flávio Bolsonaro realizou um ato voltado à mobilização da base política construída pelo pai.
O evento teve discursos contra o governo Lula e críticas ao Supremo Tribunal Federal. Um áudio de Jair Bolsonaro foi reproduzido para os apoiadores, reforçando a presença simbólica do ex-presidente na campanha.
Flávio também buscou apresentar propostas próprias, principalmente na área de segurança. O candidato defendeu o endurecimento das regras penais, o combate às facções e a classificação de milícias e grupos criminosos como organizações terroristas.
A campanha utiliza o slogan “O Brasil vai vencer” e aposta em uma combinação entre continuidade do bolsonarismo e tentativa de ampliar o diálogo com eleitores que não se identificam integralmente com o núcleo mais radical da direita.
Disputa pelo eleitorado feminino
Lula e Flávio também sinalizaram preocupação com o voto feminino.
O evento petista deu protagonismo a Janja, Marina Silva, Simone Tebet e outras lideranças. Já Flávio abordou propostas de enfrentamento à violência contra mulheres e crianças.
A movimentação ocorre porque pesquisas anteriores apontaram dificuldades do bolsonarismo entre as mulheres. Ao mesmo tempo, a oposição tenta explorar problemas econômicos e de segurança para reduzir a vantagem de Lula nesse segmento.
Campanha começa polarizada
Embora outros candidatos estejam na corrida, a largada reforçou a polarização entre o PT e o grupo político da família Bolsonaro.
Lula tenta transformar sua experiência e os programas sociais do governo em argumentos para conquistar mais um mandato. Flávio busca herdar o eleitorado do pai e se apresentar como alternativa para eleitores insatisfeitos com o atual governo.
Segurança, economia, soberania nacional, funcionamento das instituições e legado político já aparecem como temas centrais. A campanha começa oficialmente, mas o tom dos primeiros atos demonstra que a disputa será marcada por forte confronto político e emocional.
