Disputa pelo Governo de Minas chega à fase de registros com 11 nomes e cenário fragmentado
Cleitinho lidera levantamentos anteriores, enquanto Kalil, Mateus Simões, Patrus Ananias e Flávio Roscoe disputam espaço político no segundo maior colégio eleitoral do país
A corrida pelo Governo de Minas Gerais entra em uma nova etapa com o encerramento das convenções e a aproximação do prazo final para o registro das candidaturas. Até o momento, 11 nomes foram escolhidos pelos partidos para participar da eleição estadual.
A quantidade de concorrentes revela um cenário fragmentado, com candidaturas ligadas ao governo estadual, ao presidente Lula, a Flávio Bolsonaro e a grupos que tentam se apresentar como alternativas à polarização nacional.
É importante diferenciar a escolha nas convenções do registro definitivo. Os partidos têm até 15 de agosto para protocolar os pedidos, que posteriormente serão analisados pelo Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais.
Cleitinho confirma candidatura depois de idas e vindas
O senador Cleitinho Azevedo foi confirmado pelo Republicanos como candidato ao Governo de Minas, tendo o prefeito de Patos de Minas, Luís Eduardo Falcão, como vice.
A definição ocorreu depois de uma sequência de mudanças. Cleitinho chegou a anunciar que não participaria da disputa, alegando divergências sobre a composição política de sua campanha. No dia seguinte, voltou atrás, mas encontrou resistência inicial na direção do Republicanos.
Após novas conversas, a legenda decidiu confirmar sua candidatura. O episódio demonstrou a dificuldade de conciliar o perfil independente defendido pelo senador com a necessidade de construir alianças partidárias para a eleição.
Pesquisas realizadas antes da consolidação das chapas colocavam Cleitinho na liderança. Uma pesquisa Quaest divulgada em 28 de julho registrou 35% para o senador, contra 12% de Alexandre Kalil e 10% de Patrus Ananias. O levantamento, entretanto, foi feito antes das últimas mudanças e incluía nomes que posteriormente deixaram a corrida, devendo ser interpretado apenas como um retrato daquele momento.
PL mantém candidatura própria
Uma das principais mudanças ocorreu no campo da direita. O PL chegou a considerar uma aliança com Cleitinho, mas decidiu manter a candidatura do empresário Flávio Roscoe, ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais.
Roscoe terá como vice o ex-deputado estadual Charlles Evangelista. Sua chapa tentará reunir o eleitorado ligado ao PL, a Flávio Bolsonaro e a lideranças conservadoras mineiras, como o deputado federal Nikolas Ferreira.
A permanência de Roscoe cria uma divisão no campo da direita, já que ele e Cleitinho poderão disputar parcelas semelhantes do eleitorado. Ao mesmo tempo, a decisão garante ao PL um palanque próprio em Minas para a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro.
Mateus Simões representa a continuidade
O governador Mateus Simões, do PSD, concorre à reeleição depois de assumir o estado com a saída de Romeu Zema. Sua candidatura representa a continuidade do grupo que administra Minas desde 2019.
Simões terá Danilo de Castro, do União Brasil, como vice. Sua aliança reúne PSD, União Brasil, PP e Novo, entre outras forças, garantindo uma estrutura partidária significativa.
A campanha deverá destacar medidas administrativas da gestão estadual, enquanto os adversários devem cobrar resultados em áreas como saúde, educação, infraestrutura e situação financeira do estado.
Patrus e Kalil disputam espaço na oposição
No campo da esquerda, o PT escolheu o ex-ministro Patrus Ananias, que terá como vice o ex-procurador-geral de Justiça Jarbas Soares, do PSB. Patrus deverá vincular sua candidatura aos programas sociais e ao apoio do presidente Lula.
Alexandre Kalil, ex-prefeito de Belo Horizonte, concorre pelo PDT ao lado do ex-deputado Carlos Mosconi, do PSDB. Kalil tenta apresentar experiência administrativa e uma posição mais independente em relação aos dois principais campos nacionais.
Em entrevista recente, o ex-prefeito afirmou manter uma boa relação pessoal com Cleitinho, mas descartou apoiá-lo em um eventual segundo turno. A declaração sinaliza que a disputa entre os dois poderá se intensificar durante a campanha.
Os 11 nomes escolhidos
As convenções partidárias definiram as seguintes chapas:
- Alexandre Kalil (PDT), com Carlos Mosconi (PSDB);
- Ben Mendes (Missão), com Cabo David Souza (Missão);
- Cleitinho Azevedo (Republicanos), com Luís Eduardo Falcão (Republicanos);
- Flávio Roscoe (PL), com Charlles Evangelista (PL);
- Gabriel Azevedo (MDB), com Maria Helena Quadros Lopes (MDB);
- Henrique Áreas (PCO), com Estevão Gomes (PCO);
- Indira Xavier (UP), com Renato Amaral (UP);
- Mateus Simões (PSD), com Danilo de Castro (União Brasil);
- Patrus Ananias (PT), com Jarbas Soares (PSB);
- Rafael Duda (PSTU), com Diana de Cássia (PSTU);
- Túlio Lopes (PCB), com Warlen Nunes (PCB).
A lista ainda depende da apresentação e do julgamento dos registros pela Justiça Eleitoral. A ausência temporária de um nome no sistema do TSE antes do encerramento do prazo não significa necessariamente desistência ou indeferimento.
Minas terá papel estratégico
Com o segundo maior eleitorado do Brasil, Minas Gerais será decisiva tanto para a disputa estadual quanto para a eleição presidencial. Historicamente, o desempenho no estado é considerado um importante indicador da capacidade nacional das campanhas.
O próximo governador também encontrará desafios relevantes, incluindo uma dívida estadual superior a R$ 200 bilhões, demandas por investimentos em infraestrutura, dificuldades na saúde pública e diferenças econômicas entre as regiões mineiras.
A campanha deverá mostrar se Cleitinho conseguirá conservar a vantagem apresentada nas pesquisas anteriores ou se a estrutura partidária de Mateus Simões, Patrus Ananias, Alexandre Kalil e Flávio Roscoe reduzirá essa distância.
