Cleitinho volta atrás um dia após desistir, mas Republicanos rejeita candidatura ao Governo de Minas
Senador afirmou que decidiu permanecer na disputa após conversar com familiares; direção nacional da legenda, porém, classificou o assunto como “página virada”
A disputa pelo Governo de Minas Gerais ganhou um novo capítulo nesta terça-feira (4). Menos de 24 horas depois de anunciar que não seria candidato, o senador Cleitinho Azevedo voltou atrás e pediu ao Republicanos autorização para concorrer ao Palácio Tiradentes nas eleições de outubro.
A mudança foi anunciada durante a convenção nacional do partido, realizada em Brasília. Cleitinho reconheceu a alteração de posicionamento, afirmou que atravessa um período de fragilidade emocional e fez um apelo público ao presidente nacional da legenda, deputado Marcos Pereira.
Apesar da manifestação do senador, o Republicanos respondeu negativamente. A direção partidária argumentou que concedeu diferentes prazos para que Cleitinho tomasse uma decisão e afirmou que não pretende reabrir a discussão sobre a candidatura.
Na segunda-feira, Cleitinho havia anunciado a desistência
Na segunda-feira (3), Cleitinho apareceu emocionado em um vídeo ao lado de Marcos Pereira e do presidente estadual do Republicanos, deputado federal Euclydes Pettersen.
Na gravação, o senador pediu desculpas aos mineiros e explicou que não possuía condições emocionais para enfrentar uma campanha eleitoral. O parlamentar perdeu o irmão, Mateus Augusto Azevedo, no dia 18 de julho, vítima de complicações provocadas por uma leucemia.
“Não adianta eu querer cuidar de vocês se eu não estou cuidando de mim e da minha família”, declarou Cleitinho no primeiro vídeo. Ele também afirmou que não estava bem e que precisava dedicar atenção à própria recuperação e aos familiares.
A desistência parecia encerrar uma sequência de indefinições envolvendo o nome do senador. Cleitinho lidera pesquisas de intenção de voto, mas não compareceu à convenção estadual do Republicanos, realizada em 25 de julho, e também não enviou uma procuração para que seu nome fosse aprovado.
Conversa com a família motivou nova decisão
Já na manhã desta terça-feira, Cleitinho apresentou uma posição diferente. O senador relatou que recebeu a visita da mãe e de um dos irmãos, que teriam pedido para que ele não abandonasse a disputa.
“Minha mãe e meu irmão chegaram lá em casa hoje cedo e falaram: ‘Não desista, a gente vai fazer campanha para você, a gente vai ficar com você’. Então, eu quero ser candidato a governador”, afirmou.
Cleitinho reconheceu que gravou o vídeo anterior em um momento de vulnerabilidade emocional e espiritual. Em seguida, pediu uma nova oportunidade ao comando do Republicanos.
“Eu quero ser candidato a governador e peço humildemente ao presidente que me dê essa vaga. Eu não vou decepcionar o partido”, declarou durante a convenção. O senador também questionou: “Quem nunca foi e voltou? Quem nunca errou?”.
A nova declaração, entretanto, representa uma intenção política, e não a confirmação oficial da candidatura. Para disputar a eleição, Cleitinho ainda precisa ser escolhido pelo Republicanos e ter seu nome registrado pela legenda na Justiça Eleitoral. A CNN Brasil acompanhou o pronunciamento e a resposta do partido.
Republicanos rejeita pedido e critica instabilidade
A resposta de Marcos Pereira foi dura. O presidente nacional do Republicanos afirmou que todas as oportunidades foram oferecidas ao senador e declarou que a legenda não poderia conduzir uma candidatura ao Governo de Minas em meio a sucessivas mudanças de decisão.
“Eu seria irresponsável com o povo de Minas em colocar Minas nas mãos de uma pessoa que uma hora pensa uma coisa e cinco minutos depois pensa outra”, disse o dirigente partidário.
Pereira também lembrou que o partido pediu a presença de Cleitinho na convenção estadual ou, alternativamente, o envio de uma procuração. Segundo ele, nenhuma das opções foi aceita pelo senador.
Após a convenção nacional, o presidente do Republicanos afirmou que o caso é uma “página virada”. Cleitinho, por sua vez, disse que ainda tentará uma nova conversa para convencer o dirigente.
O prazo também aumenta a pressão: as convenções partidárias terminam nesta quarta-feira (5), enquanto os pedidos de registro das candidaturas poderão ser apresentados à Justiça Eleitoral até 15 de agosto.
Mudança interfere nas alianças em Minas
As idas e vindas de Cleitinho afetam diretamente a organização das alianças para a eleição mineira. O PL havia deixado de apresentar um candidato próprio ao Governo de Minas enquanto aguardava uma definição do senador, considerado um possível palanque para a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.
Com a desistência anunciada na segunda-feira, ganhou força uma composição entre Republicanos, PL, PP e União Brasil em torno do nome do ex-deputado federal Marcelo Aro.
O impasse também chama atenção devido ao desempenho eleitoral de Cleitinho. Em levantamento da Quaest divulgado no fim de julho, o senador apareceu com 35% das intenções de voto, contra 12% do ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil. A pesquisa também apontou vantagem de Cleitinho nas simulações de segundo turno.
Situação continua indefinida, mas partido mantém o “não”
A declaração desta terça-feira modifica a decisão pessoal anunciada por Cleitinho no dia anterior, mas não altera, até o momento, a posição oficial do Republicanos.
Portanto, Cleitinho voltou a manifestar o desejo de concorrer ao Governo de Minas, mas ainda não pode ser apresentado como candidato confirmado. O senador depende de uma improvável reconsideração do comando partidário antes do encerramento das convenções.
Enquanto Cleitinho promete insistir, o Republicanos sustenta que não pretende reabrir a negociação. Assim, a definição final depende menos da vontade manifestada pelo senador no novo vídeo e mais da decisão formal que a legenda tomará dentro do prazo eleitoral.
