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Eduardo Bolsonaro obtém green card e condiciona retorno ao Brasil à aprovação de anistia

Ex-deputado recebeu residência permanente na categoria destinada a pessoas com habilidades extraordinárias e afirma que continuará nos Estados Unidos

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro obteve autorização para residir permanentemente nos Estados Unidos. Conhecido como green card, o documento permite que o brasileiro more e trabalhe legalmente no país por tempo indeterminado.

Eduardo afirmou que o benefício foi concedido na categoria EB-1A, destinada a estrangeiros que comprovem habilidades extraordinárias em áreas como ciência, artes, educação, negócios ou esportes. O processo teria sido iniciado há aproximadamente um ano. As informações foram divulgadas pela Reuters.

Eduardo vive nos Estados Unidos desde 2025

Filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, Eduardo mora nos Estados Unidos desde o início de 2025. Nesse período, ele ampliou a aproximação com lideranças conservadoras norte-americanas e com integrantes do governo do presidente Donald Trump.

Antes da concessão da residência permanente, o brasileiro já possuía autorização para trabalhar legalmente no país. Com o green card, sua permanência deixa de depender de um visto temporário.

Embora seja popularmente associado a uma autorização definitiva, o documento pode ser revogado em determinadas situações, como condenações por crimes previstos na legislação norte-americana, fraudes migratórias ou longos períodos de residência fora dos Estados Unidos.

Categoria é destinada a habilidades extraordinárias

A categoria EB-1A integra o sistema de imigração baseado em emprego dos Estados Unidos. Para receber a autorização, o solicitante deve apresentar evidências de reconhecimento profissional e demonstrar destaque em sua área de atuação.

Diferentemente de outras modalidades, o processo não exige necessariamente uma oferta prévia de emprego de uma empresa norte-americana. O interessado, no entanto, precisa comprovar que pretende continuar desenvolvendo atividades relacionadas à área em que obteve reconhecimento.

A aprovação de Eduardo nessa categoria gerou repercussão política no Brasil, principalmente por ocorrer em meio aos processos enfrentados por ele no país.

Condenação e alegação de perseguição

Em junho, Eduardo Bolsonaro foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a quatro anos e dois meses de prisão. A decisão considerou que ele atuou para buscar interferência dos Estados Unidos no julgamento de seu pai.

Eduardo nega ter trabalhado contra os interesses brasileiros. Ele afirma que se mudou para os Estados Unidos para se proteger do que classifica como perseguição injusta promovida pelo Supremo.

Adversários políticos, por outro lado, acusam Eduardo e o senador Flávio Bolsonaro de utilizarem suas relações com autoridades norte-americanas para pressionar instituições brasileiras. Os dois negam ter solicitado a adoção de tarifas ou sanções econômicas contra o Brasil.

Retorno dependeria de anistia

Após confirmar a obtenção do green card, Eduardo declarou que somente pretende retornar ao Brasil se for beneficiado por uma anistia. A afirmação indica que sua permanência nos Estados Unidos pode se estender enquanto a condenação continuar produzindo efeitos.

A anistia, no entanto, dependeria da aprovação de uma proposta pelo Congresso Nacional e poderia enfrentar questionamentos no Supremo Tribunal Federal, especialmente em relação ao alcance do benefício e aos crimes eventualmente contemplados.

A nova condição migratória fortalece a permanência de Eduardo nos Estados Unidos, mas não interfere automaticamente nos processos existentes no Brasil. A residência norte-americana também não equivale à cidadania e não impede a atuação das autoridades brasileiras dentro das regras de cooperação internacional.

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