Bastidores

Convenções começam e partidos entram na fase decisiva para definir candidatos de 2026

Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Romeu Zema e outros pré-candidatos aguardam confirmação; partidos também decidirão alianças e nomes para vice

Começa nesta segunda-feira, 20 de julho, o período das convenções partidárias que definirão os candidatos das Eleições Gerais de 2026. Até o dia 5 de agosto, partidos e federações poderão oficializar os nomes que disputarão a Presidência da República, os governos estaduais, o Senado, a Câmara dos Deputados e as assembleias legislativas.

As convenções também serão responsáveis por aprovar coligações para os cargos majoritários e escolher os candidatos a vice-presidente e vice-governador.

Embora diversos nomes estejam em campanha há meses, eles ainda são tecnicamente pré-candidatos. A confirmação partidária ocorre nas convenções, enquanto a oficialização perante a Justiça Eleitoral depende do pedido de registro, cujo prazo termina em 15 de agosto.

Principais convenções já estão marcadas

Os partidos dos principais pré-candidatos à Presidência já definiram parte do calendário.

O Partido Liberal realizará sua convenção em 25 de julho, no Pacaembu, em São Paulo. A expectativa é que o encontro oficialize o senador Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência.

O nome do candidato a vice ainda não foi anunciado. A escolha será uma das decisões mais importantes para a estratégia do PL, que busca ampliar a candidatura para além do eleitorado mais identificado com o ex-presidente Jair Bolsonaro.

No dia seguinte, 26 de julho, o PSD deverá confirmar Ronaldo Caiado na disputa pelo Palácio do Planalto. A convenção será realizada na sede nacional da legenda, em São Paulo. O presidente do partido, Gilberto Kassab, aparece como provável candidato a vice.

Também no dia 26, o Partido Missão realizará seu primeiro congresso nacional. A legenda deve oficializar Renan Santos como candidato à Presidência e Aroldo Medina como vice.

Zema deverá ser confirmado em Brasília

O Partido Novo marcou sua convenção para 27 de julho, em Brasília. A expectativa é que a legenda confirme o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema como candidato ao Planalto.

O partido ainda negocia a composição da chapa e o nome do vice. Zema busca ocupar um espaço liberal e conservador, apresentando-se como alternativa à polarização entre o PT e o grupo político ligado a Bolsonaro.

Sua candidatura também será importante para a montagem das alianças em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país.

Lula e Alckmin devem repetir chapa

A convenção que deverá confirmar a candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva está prevista para 2 de agosto, no Expo Center Norte, em São Paulo.

O vice-presidente Geraldo Alckmin deverá permanecer na chapa. A aliança entre PT e PSB repete a composição utilizada nas eleições de 2022.

A escolha de São Paulo possui valor simbólico por ser o estado onde o PT foi fundado e onde Lula iniciou sua trajetória sindical e política.

Além da Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, a campanha trabalha para manter o apoio de PSB, PDT e Federação PSOL-Rede.

Daciolo, Augusto Cury e outros nomes aguardam definição

O Mobiliza, partido do ex-deputado federal Cabo Daciolo, ainda não divulgou a data de sua convenção. Daciolo pretende voltar à disputa presidencial depois de ter concorrido em 2018.

O Avante também deverá decidir sobre a pré-candidatura do escritor e psiquiatra Augusto Cury. A legenda ainda não anunciou todos os detalhes da convenção.

O Democracia Cristã vive uma disputa interna envolvendo os nomes do ex-ministro Aldo Rebelo e do ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa.

Também aparecem no campo das pré-candidaturas Edmilson Costa, pelo PCB; Hertz Dias, pelo PSTU; Rui Costa Pimenta, pelo PCO; e Samara Martins, pela Unidade Popular.

Nem todos os nomes anunciados chegarão necessariamente às urnas. Alguns partidos poderão retirar candidaturas para formar alianças ou apoiar chapas com maior estrutura eleitoral.

Minas Gerais terá disputas decisivas

As convenções estaduais também definirão os candidatos ao Governo de Minas e às duas vagas do Senado.

O estado possui mais de 16 milhões de eleitores e tradicionalmente exerce papel decisivo na eleição presidencial. Por isso, Lula, Flávio Bolsonaro e os demais candidatos buscam construir palanques competitivos em território mineiro.

Entre os nomes que participaram das articulações para o Governo de Minas estão Cleitinho Azevedo, Alexandre Kalil, Mateus Simões, Flávio Roscoe e representantes de partidos da esquerda.

Para o Senado, nomes como Marília Campos, Carlos Viana, Aécio Neves, Domingos Sávio, Marcelo Aro e Alexandre Silveira aparecem nas negociações partidárias. Como Minas elegerá dois senadores, cada eleitor poderá votar em dois candidatos diferentes.

As composições ainda podem mudar durante o período das convenções.

Convenção não encerra processo de registro

A escolha de um nome pela convenção não garante automaticamente sua presença na urna.

Após a decisão partidária, a candidatura precisa ser registrada na Justiça Eleitoral até 15 de agosto. O pedido será analisado para verificar filiação, domicílio eleitoral, regularidade partidária, ausência de causas de inelegibilidade e demais exigências legais.

Também poderão ser apresentados pedidos de impugnação por partidos, coligações, candidatos ou pelo Ministério Público Eleitoral.

A campanha eleitoral oficial começa em 16 de agosto. Antes dessa data, continuam valendo as regras da pré-campanha, que permitem a apresentação de propostas e a participação em eventos, mas proíbem o pedido explícito de voto.

Eleitor terá seis votos

O primeiro turno será realizado em 4 de outubro. Os eleitores escolherão representantes para seis posições:

  1. Deputado federal;
  2. Deputado estadual ou distrital;
  3. Senador — primeira vaga;
  4. Senador — segunda vaga;
  5. Governador;
  6. Presidente da República.

Caso nenhum candidato a presidente ou governador alcance mais da metade dos votos válidos, o segundo turno será realizado em 25 de outubro.

As próximas semanas serão decisivas não apenas para confirmar nomes já conhecidos, mas também para revelar os candidatos a vice, as alianças estaduais e possíveis desistências.

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