BastidoresEconomia PolíticaGeral

Copasa é privatizada: Equatorial assume controle e Minas Gerais encerra 52 anos de gestão estatal da água

Após mais de meio século como empresa pública, a Companhia de Saneamento de Minas Gerais passa para mãos privadas em operação bilionária na Bolsa de Valores.

Após 52 anos como estatal, a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) teve sua privatização concluída nesta terça-feira (16) na Bolsa de Valores brasileira (B3), em São Paulo. O evento marca o fim de uma era na gestão do saneamento básico mineiro e abre um novo capítulo sob comando da iniciativa privada.

O maior negócio do setor no estado

A Copasa encerrou seu processo de privatização movimentando, nas duas fases de sua oferta secundária de ações, um montante de R$ 8,4 bilhões — valor que deve chegar integralmente aos cofres do Estado mineiro, único vendedor das ações. Trata-se da segunda maior privatização do setor de saneamento no Brasil feita em bolsa, atrás apenas da Sabesp, em 2024, que movimentou quase R$ 15 bilhões.

Quem assumiu o controle

O Grupo Equatorial será o investidor de referência e ficará responsável por 30% da fatia de ações que pertencia ao Executivo estadual, tendo adquirido 114.075.920 ações da Copasa, movimentando um montante de R$ 5,593 bilhões.

A Equatorial Energia, que já é o maior acionista da Sabesp, passa a ser também o maior acionista individual da Copasa. A empresa é uma das maiores holdings do setor de infraestrutura do país, com atuação em energia elétrica e saneamento em diversos estados brasileiros.

O que fica nas mãos do governo

Apesar da privatização, o Estado não se desvincula completamente da empresa. Com a conclusão da operação, o Estado de Minas Gerais deixa de ser controlador da companhia e passa a deter aproximadamente 5% do capital social, além de manter uma golden share — que preserva determinados direitos especiais previstos na legislação e no estatuto da empresa. Seu Dinheiro

O texto aprovado mantém a golden share com poder de veto sobre decisões estratégicas e obriga a futura empresa a cumprir metas de universalização de água e esgoto.

O compromisso com os consumidores

A Equatorial assumiu obrigações de longo prazo para com o estado. A empresa se comprometeu a não vender metade das ações que comprou pelo prazo de 4 anos, ou seja, até junho de 2030. Os outros 50% restantes só podem ser vendidos após dezembro de 2033 ou até o atingimento das metas de universalização do acesso a água e esgoto em Minas Gerais, o que ocorrer primeiro.

Para onde vai o dinheiro

O governador de Minas, Mateus Simões (PSD), relembrou que o recurso arrecadado com a venda da Copasa será usado dentro do Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag), que determina investimentos em infraestrutura, segurança e educação.

Uma longa trajetória chega ao fim

Criada em 1974 como uma empresa de economia mista controlada pelo governo de Minas, a história da companhia é ainda mais antiga: remonta a 1963, quando foi criada a Companhia Mineira de Água e Esgoto (Comag), versão embrionária do que viria a se tornar a Copasa. Diário do Comércio

A aprovação do projeto de lei que autorizou a privatização aconteceu em dezembro de 2025, com o placar de 53 votos a favor e 19 contra na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, após mais de 9 horas de obstrução por parte de parlamentares de oposição.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *