Cleitinho vence no primeiro turno e será o novo governador de Minas Gerais
Senador recebeu 6,3 milhões de votos, derrotou Patrus Ananias e transformou sua força no interior e nas redes sociais em vitória estadual
Cleitinho Azevedo (Republicanos) foi eleito governador de Minas Gerais no primeiro turno das eleições de 2026.
Com 99,99% das urnas apuradas, o candidato recebeu 6.321.351 votos, equivalentes a 55,40% dos votos válidos. Por ter ultrapassado a metade dos votos válidos, Cleitinho garantiu a vitória sem necessidade de uma nova votação estadual.
O deputado federal Patrus Ananias (PT) terminou em segundo lugar, com aproximadamente 26,34%. A diferença entre os dois ultrapassou 29 pontos percentuais. Tribunal Superior Eleitoral
O vice-governador eleito é Luís Eduardo Falcão, também do Republicanos. A chapa foi formada pela coligação Minas é do Povo, integrada por Republicanos e Podemos.
De verdureiro a governador
Natural de Divinópolis, Cleitinho construiu sua trajetória política apresentando-se como representante das camadas populares e crítico da política tradicional.
Antes de ocupar cargos públicos, trabalhou no comércio de hortifrúti com o pai e os irmãos. Durante a campanha, retornou ao Ceasa Minas, local que utilizou para relembrar sua origem como verdureiro.
Após a confirmação da vitória, publicou uma mensagem destacando essa trajetória.
“De verdureiro a governador. Só Deus e vocês para fazerem isso acontecer.”
Cleitinho também declarou que pretende governar para todos, incluindo os eleitores que apoiaram seus adversários.
Trajetória começou na Câmara de Divinópolis
Cleitinho iniciou sua carreira política como vereador de Divinópolis. Posteriormente, foi eleito deputado estadual e, em 2022, conquistou uma cadeira no Senado.
Na disputa pelo Senado, recebeu 41,52% dos votos válidos e derrotou nomes tradicionais da política mineira.
Quatro anos depois, transformou seu mandato de senador e sua forte presença digital em uma candidatura competitiva ao Governo de Minas.
Sua campanha utilizou vídeos curtos, transmissões ao vivo e visitas ao interior. O candidato apostou em uma comunicação direta, frequentemente realizada sem grandes estruturas partidárias ou produções sofisticadas.
Candidatura enfrentou incertezas
A candidatura de Cleitinho passou por idas e vindas antes de ser oficializada.
Em determinado momento, o Republicanos chegou a discutir outros caminhos para a eleição estadual. O senador reagiu publicamente e pressionou a direção partidária para permanecer na disputa.
A exposição do conflito acabou ampliando sua presença nas redes sociais e reforçando sua imagem de candidato independente das decisões tomadas pelas cúpulas partidárias.
A chapa foi confirmada dentro do prazo eleitoral e Cleitinho iniciou a campanha como favorito.
Discurso antissistema marcou a campanha
Durante a disputa, Cleitinho repetiu o lema de “menos Estado e mais povo” e apresentou sua origem humilde como contraponto à experiência administrativa dos adversários.
Seus críticos questionaram a falta de experiência no Poder Executivo e cobraram propostas mais detalhadas para áreas como saúde, educação, segurança pública e recuperação fiscal.
O candidato, por sua vez, apostou em uma campanha centrada na proximidade com os eleitores e na promessa de reduzir privilégios.
Depois da vitória, afirmou que pretende transformar Minas em exemplo de pacificação política.
“Eu sou de direita, mas meu coração é para todos.”
Cleitinho terá papel importante no segundo turno
Embora não tenha integrado formalmente o palanque estadual de Flávio Bolsonaro, Cleitinho declarou apoio ao candidato do PL em diferentes momentos da campanha.
Sua vitória, somada à votação histórica de Nikolas Ferreira, transforma Minas Gerais em um dos principais territórios da direita no segundo turno presidencial.
O estado possui o segundo maior eleitorado do Brasil e costuma ter participação decisiva nas eleições nacionais. Flávio Bolsonaro deverá buscar o envolvimento de Cleitinho e Nikolas para manter ou ampliar sua vantagem sobre Lula entre os mineiros.
Desafios começam em janeiro
Cleitinho assumirá o Governo de Minas em janeiro de 2027 e encontrará desafios antigos, como a dívida estadual com a União, a situação fiscal, o pagamento dos servidores e as demandas por melhorias na saúde, educação, segurança e infraestrutura.
Ele também precisará construir uma base de apoio na Assembleia Legislativa e estabelecer uma relação institucional com o Governo Federal, independentemente de quem vencer a eleição presidencial.
A vitória no primeiro turno demonstra a força eleitoral do novo governador. O desafio seguinte será transformar o discurso direto e a popularidade digital em capacidade de administração do segundo estado mais populoso do país.
