Caso Master invade eleição: Lula defende Moraes e Flávio tenta ligar crise do STF ao governo
Um dia depois da sessão que expôs o racha no Supremo, os dois principais candidatos à Presidência levam a crise envolvendo Alexandre de Moraes e o Banco Master para o centro da campanha eleitoral.
A crise no Supremo Tribunal Federal deixou definitivamente os limites do Judiciário e entrou na campanha presidencial.
Nesta quarta-feira (16), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) saiu em defesa da atuação institucional de Alexandre de Moraes, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) e seus aliados passaram a explorar o resultado inconclusivo da sessão do STF como argumento político contra a atual composição da Corte.
As estratégias são distintas e ocorrem menos de três semanas antes do primeiro turno.
Lula diz que Moraes prestou serviço à democracia
Em entrevista nesta quarta-feira, Lula afirmou que Flávio Bolsonaro tem uma “bronca” com Alexandre de Moraes relacionada à atuação do ministro nos processos do 8 de Janeiro e disse que Moraes prestou serviço à democracia.
Ao mesmo tempo, Lula tem procurado evitar que a crise interna do Supremo seja associada diretamente ao governo.
Na terça-feira (15), o presidente afirmou que eventuais envolvidos no caso Banco Master devem ser investigados e defendeu mudanças no Judiciário, incluindo a adoção de mandatos para ministros do Supremo.
Flávio transforma indefinição em discurso eleitoral
No campo adversário, a campanha de Flávio Bolsonaro interpreta a sessão como uma oportunidade para intensificar as críticas a integrantes do STF.
Aliados do candidato pretendem explorar especialmente o fato de que o plenário não chegou a decidir se a apuração relacionada a Moraes deve prosseguir.
O entorno de Flávio também tem procurado associar politicamente Moraes ao atual governo. Trata-se de uma estratégia de campanha: a proximidade alegada pelos aliados de Flávio não equivale, por si só, a uma comprovação de coordenação entre Lula e o ministro.
Flávio também está sob investigação
A ofensiva eleitoral ocorre enquanto o próprio Flávio enfrenta uma investigação relacionada a outro braço do caso Master.
Documentos divulgados na semana passada revelaram que o senador é investigado em uma apuração relacionada ao financiamento de Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro.
O procedimento envolve suspeitas relacionadas aos recursos destinados à produção e à participação de Daniel Vorcaro. Flávio nega irregularidades. A existência da investigação não significa comprovação dos crimes investigados.
Banco Master se torna assunto da campanha
A sessão desta semana mostrou como um caso inicialmente relacionado ao sistema financeiro passou a produzir consequências simultaneamente no STF e na corrida presidencial.
Para Flávio, a estratégia é apresentar a crise como evidência da necessidade de mudanças no Supremo e questionar a atuação de Moraes.
Lula, por sua vez, defende que eventuais irregularidades sejam investigadas, mas também rebate os ataques dirigidos a Moraes e procura diferenciar a crise interna da Corte da atuação do governo.
Outros presidenciáveis também passaram a abordar o tema, aumentando a pressão sobre o STF.
Eleição entra na reta final com STF no centro do debate
O pedido de vista de Flávio Dino adicionou outro componente à disputa.
Se utilizar integralmente o prazo de 90 dias, a decisão do Supremo poderá ficar para depois das eleições. Enquanto isso, candidatos e aliados continuarão disputando politicamente a interpretação dos documentos e das decisões relacionadas ao Banco Master.
Com o primeiro turno se aproximando, a crise do STF tornou-se um dos temas relevantes da reta final da campanha — enquanto as investigações permanecem em andamento e sem conclusão definitiva sobre diversos personagens citados.
