Banco Master cerca Lula e Flávio: investigação atinge candidato e filho do presidente
Caso que sacode Brasília chega ao centro da eleição presidencial: Flávio Bolsonaro é formalmente investigado por suspeitas relacionadas ao financiamento de filme sobre Jair Bolsonaro, enquanto apurações envolvendo Lulinha também se transformam em foco de pressão sobre Lula.
O escândalo envolvendo o Banco Master deixou de ser apenas uma crise financeira e institucional para se transformar em um dos principais componentes da disputa pela Presidência da República.
Os dois candidatos que protagonizam a corrida ao Palácio do Planalto passaram a enfrentar questionamentos relacionados aos diferentes braços das investigações.
De um lado está Flávio Bolsonaro (PL), formalmente investigado em um inquérito relacionado aos recursos destinados ao filme Dark Horse, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Do outro está o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), atingido politicamente pelas investigações envolvendo seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e pelas tentativas de adversários de estabelecer conexões entre integrantes do governo e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
São situações juridicamente diferentes, mas que colocam o caso Master no centro da eleição.
Flávio passa à condição de investigado
Documentos revelados nesta sexta-feira (11) mostram que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou em julho a abertura de investigação sobre Flávio Bolsonaro.
A decisão ocorreu após pedido da Polícia Federal e envolve suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas relacionadas ao financiamento de Dark Horse.
O ponto central é a participação de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, no financiamento da produção.
Flávio já reconheceu ter procurado Vorcaro em busca de recursos privados para o projeto, mas nega qualquer irregularidade.
A existência do inquérito não representa condenação ou comprovação dos crimes investigados. Caberá às autoridades determinar se houve ilegalidades e eventual responsabilidade dos envolvidos.
Lulinha também está sob investigação
No outro lado da disputa eleitoral, investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, também se transformaram em um problema político para o presidente Lula.
Lulinha aparece em apurações relacionadas a suspeitas de tráfico de influência e ao escândalo de fraudes envolvendo o INSS, outro caso sob relatoria de André Mendonça.
A Polícia Federal, entretanto, registrou em relatório recente que algumas imputações feitas contra Lulinha em documentos produzidos no âmbito das investigações apresentavam conclusões consideradas “sem lastro probatório”.
A ressalva é importante: a existência de uma investigação não significa que as suspeitas tenham sido comprovadas.
Mesmo assim, politicamente, o caso passou a ser utilizado pela oposição para atingir Lula e cobrar explicações sobre as atividades de seu filho.
Vorcaro vira personagem da campanha
Daniel Vorcaro acabou se tornando um personagem comum às acusações políticas trocadas durante a campanha.
Flávio Bolsonaro já utilizou as investigações envolvendo Lulinha para atacar Lula e, ao ser questionado sobre os recursos destinados a Dark Horse, afirmou que o filho do presidente também deveria prestar esclarecimentos.
Ao mesmo tempo, a própria relação de Flávio com Vorcaro passou a ser investigada.
Segundo as apurações sobre Dark Horse, recursos milionários foram destinados pelo ex-banqueiro à estrutura utilizada para financiar a produção cinematográfica.
Flávio afirma que buscou apenas patrocínio privado para um filme privado e nega ter recebido qualquer vantagem pessoal.
Situações diferentes, impacto eleitoral semelhante
Apesar de ambos os casos serem utilizados politicamente, existe uma diferença jurídica fundamental.
Flávio Bolsonaro aparece formalmente como investigado no inquérito relacionado ao financiamento de Dark Horse.
Lula, por sua vez, não aparece na mesma condição. O desgaste para o presidente ocorre principalmente pelas investigações e suspeitas envolvendo Lulinha e pela exploração eleitoral do caso por seus adversários.
Isso não impede que, no campo político, os dois lados tentem transformar as investigações em munição eleitoral.
Master entra definitivamente na disputa presidencial
A abertura de milhares de páginas das investigações aumenta ainda mais a possibilidade de novos fatos surgirem durante a reta final da campanha.
Para Lula, o desafio será responder aos questionamentos envolvendo seu filho e impedir que a oposição transforme as investigações em uma associação direta com seu governo.
Para Flávio, a situação é mais direta: o candidato terá de administrar durante a campanha um inquérito que investiga sua própria atuação na captação de recursos para o filme sobre Jair Bolsonaro.
O resultado é uma eleição na qual o Banco Master deixa de aparecer apenas nos bastidores de Brasília.
Com diferentes investigações ainda em andamento e documentos permanecendo sob sigilo, Lula e Flávio chegam à reta final da disputa pressionados por casos que seus adversários tentarão explorar até o último dia da campanha.
