PT aposta em Patrus Ananias para destravar candidatura ao Governo de Minas
Nome do ex-prefeito de Belo Horizonte ganha força após resistência de Marília Campos, e decisão deve passar por conversa direta com Lula
O deputado federal Patrus Ananias (PT-MG) passou a ser tratado como a principal alternativa do Partido dos Trabalhadores para disputar o Governo de Minas Gerais em 2026. O nome do ex-prefeito de Belo Horizonte ganhou força nos últimos dias, depois que outras possibilidades perderam espaço, e a expectativa agora é de uma conversa direta entre Patrus e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para definir se ele aceitará encabeçar a chapa petista no estado.
Patrus virou a “bola da vez” no PT
A direção nacional do PT passou a trabalhar com Patrus Ananias como opção concreta para a disputa mineira. Lideranças da Executiva do partido já fizeram contatos e sondagens para saber se o deputado estaria disposto a mudar seus planos e entrar na corrida pelo Palácio Tiradentes. Até então, Patrus vinha organizando sua pré-candidatura à reeleição para a Câmara dos Deputados.
A movimentação ganhou força depois de uma reunião com a presença de Lula, na qual o nome de Patrus foi apresentado como alternativa para garantir ao presidente um palanque mais robusto em Minas Gerais. A decisão final, no entanto, ainda depende da disposição do próprio parlamentar e da construção de uma chapa competitiva.
Por que o PT chegou ao nome de Patrus
O PT vinha tentando organizar uma candidatura ao governo mineiro, mas encontrou dificuldades. A prefeita de Contagem, Marília Campos, resistiu à possibilidade de concorrer ao Palácio Tiradentes, enquanto outros nomes discutidos pelo campo governista também não avançaram. Com isso, Patrus surgiu como uma solução que reúne experiência política, histórico administrativo e identidade reconhecida dentro do partido.
Ex-prefeito de Belo Horizonte e ex-ministro do Desenvolvimento Social, Patrus tem trajetória ligada às políticas sociais e a uma ala mais tradicional do PT. Seu perfil pode ajudar a legenda a recuperar um discurso mais ligado à gestão pública, ao combate à pobreza e à defesa de programas sociais.
Pesquisa interna anima o partido
O PT também encomendou uma pesquisa para testar a viabilidade eleitoral de Patrus Ananias. Segundo informações divulgadas, o levantamento apontou desempenho semelhante ao registrado anteriormente por Marília Campos, que era tratada como uma das principais apostas da legenda para a disputa estadual. O resultado teria aumentado a pressão para que Patrus aceite o desafio.
Embora os números completos do levantamento não tenham sido divulgados publicamente, a pesquisa passou a ser usada internamente como argumento de que Patrus pode entrar na disputa com algum nível de competitividade e reconhecimento entre os eleitores mineiros.
O desafio de enfrentar Cleitinho e a sucessão de Zema
Caso aceite a candidatura, Patrus entrará em uma eleição que já apresenta nomes competitivos e campos políticos bem definidos. O senador Cleitinho Azevedo aparece com força nos cenários divulgados ao longo do ano, enquanto o grupo ligado ao governador Romeu Zema trabalha para manter influência sobre a sucessão estadual.
Nesse ambiente, Patrus teria a missão de unificar a esquerda, representar Lula em Minas e evitar que o PT fique sem uma candidatura própria competitiva no segundo maior colégio eleitoral do país. Para o presidente, ter um palanque estruturado em Minas é estratégico não apenas para a disputa estadual, mas também para sua própria campanha nacional.
Experiência pode ser o principal ativo
Patrus Ananias tem como principal vantagem a experiência acumulada em diferentes funções públicas. Foi prefeito de Belo Horizonte, ministro do Desenvolvimento Social e ministro do Desenvolvimento Agrário, além de exercer mandato de deputado federal. Sua trajetória é fortemente associada à construção de políticas sociais e ao período de implantação de programas federais de combate à fome e à pobreza.
Ao mesmo tempo, o deputado precisará renovar sua comunicação e ampliar sua presença fora do eleitorado tradicional do PT. Uma candidatura ao governo exige capacidade de dialogar com o interior, com setores empresariais e com uma parcela do eleitorado que hoje se mostra mais distante do partido.
O que ainda falta para a candidatura
O principal passo agora é a conversa entre Patrus e Lula. O deputado inicialmente afirmou que não havia sido procurado oficialmente e chegou a descartar a candidatura, mas as sondagens avançaram e o cenário mudou nos últimos dias. A expectativa dentro do partido é que a decisão seja tomada após uma conversa definitiva com o presidente.
Além da decisão pessoal de Patrus, o PT também precisa fechar alianças. Uma das articulações envolve a tentativa de aproximação com o MDB e outras forças do campo de centro-esquerda, buscando dar mais estrutura, tempo de campanha e capilaridade à eventual candidatura.
A entrada de Patrus Ananias pode oferecer ao PT uma saída para o impasse em Minas e garantir a Lula um palanque próprio em um estado decisivo. O nome reúne história, experiência e identidade partidária, mas ainda precisa superar resistências pessoais, construir alianças e provar competitividade diante de adversários já em campanha. A conversa com Lula deve definir se Patrus continuará na disputa pela Câmara ou aceitará a missão de tentar recolocar o PT no comando do Governo de Minas.
