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Cleitinho propõe cortar IPVA em Minas e transferir conta para mineradoras

Senador diz que quer aliviar o bolso dos mineiros, elevar a cobrança sobre o setor mineral e afirma que recusou pressão para deixar a disputa ao Governo de Minas Gerais

Em vídeo publicado nesta semana nas redes sociais, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) voltou a elevar o tom da pré-campanha ao governo de Minas. Segundo o conteúdo divulgado por ele, a proposta é reduzir a taxa do IPVA para a população mineira e compensar o impacto fiscal com aumento de alíquota sobre as mineradoras. No mesmo vídeo, Cleitinho também afirma que tentaram “comprá-lo” para que deixasse a disputa pelo Palácio Tiradentes, mas responde dizendo que “não está à venda”. A mensagem reforça sua estratégia de falar diretamente com o eleitorado popular e de se apresentar como nome antissistema na sucessão mineira.

O que Cleitinho colocou no vídeo

Pelo conteúdo publicado, Cleitinho combina duas mensagens de alto apelo popular: redução da carga sobre quem tem carro e endurecimento com setores econômicos vistos como mais capazes de suportar aumento de tributação. Ao acoplar isso a uma fala de resistência pessoal — ao dizer que não está à venda — o senador transforma uma proposta tributária em peça de narrativa política e eleitoral.

Por que o tema conversa com a imagem dele

A pauta do IPVA não é nova no discurso de Cleitinho. O senador já vinha vinculando sua atuação a medidas de alívio para motoristas, inclusive com a PEC que elimina a cobrança do imposto para veículos com mais de 20 anos, aprovada no Congresso em 2025 e ainda explorada politicamente por ele e por aliados. Isso ajuda a dar coerência ao novo vídeo: ele não está entrando em um tema estranho ao seu repertório, mas ampliando um eixo que já usa para dialogar com o eleitor mineiro.

O que ele tenta ganhar com isso

Ao falar em jogar a conta para as mineradoras, Cleitinho busca atingir dois públicos ao mesmo tempo. De um lado, motoristas, trabalhadores e população do interior, que sentem diretamente o peso do IPVA. De outro, um eleitorado que cobra enfrentamento mais duro a grandes grupos econômicos em Minas, especialmente em um estado onde a mineração sempre ocupa papel central e controverso. É um discurso simples, direto e de forte apelo popular.

A frase sobre compra política

A declaração de que tentaram comprá-lo para sair da disputa reforça outra peça central da construção de imagem de Cleitinho: a de outsider que resiste aos acordos tradicionais da política mineira. Em maio, ele já havia usado a tribuna do Senado para rebater críticas à sua eventual candidatura ao governo e se apresentar como alguém ligado diretamente à defesa da população mineira. Mais recentemente, reportagens apontaram que aliados seguem pressionando por uma definição sobre sua candidatura, o que dá ao vídeo um contexto político mais amplo.

O que pode pesar contra ele

O discurso tem força política, mas também abre flancos. Reduzir IPVA e compensar a perda com mineradoras exige desenho técnico, base legal e cálculo fiscal robusto, sob risco de a proposta ser atacada como simplificação eleitoral. Além disso, ao sugerir que houve tentativa de “compra”, Cleitinho eleva o nível da disputa e aumenta a pressão para que apresente contexto e lastro dessa acusação no debate público. Esta é uma inferência jornalística a partir do conteúdo político do vídeo e do ambiente da sucessão mineira.

No novo vídeo, Cleitinho faz o que mais sabe fazer politicamente: transforma tributo, indignação e confronto em linguagem popular. Ao prometer reduzir o IPVA, cobrar mais das mineradoras e dizer que não está à venda, ele reforça sua marca de candidato direto, barulhento e antissistema. Em Minas, isso pode continuar rendendo muito mais do que apenas engajamento.

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