Em Brasília, eleições 2026 já começou — e não será decidido só nas urnas
Entre PEC contra Moraes, indefinição de Pacheco e guerra aberta por narrativa, a política brasileira já disputa poder antes mesmo da campanha oficial
A impressão de que a eleição de 2026 ainda está longe é um erro típico de quem olha Brasília por calendário e não por movimento. A semana mostra exatamente o contrário. Quando o PL abre ofensiva no Congresso contra Alexandre de Moraes e tenta empurrar Hugo Motta para uma briga com o STF, e quando Rodrigo Pacheco hesita entre Minas e uma vaga no TCU, o que se vê não é apenas noticiário de bastidor — é campanha em estado bruto.
O Congresso quer ser mais do que coadjuvante
A tentativa de ressuscitar a PEC que limita decisões monocráticas não é só um protesto contra Moraes. É também um gesto de afirmação política do Congresso. Ao mirar o Supremo, a oposição tenta mobilizar sua base; ao mirar Hugo Motta, tenta obrigar a Câmara a escolher lado. Em Brasília, pautar ou não pautar uma proposta dessas vale quase tanto quanto aprová-la.
O Judiciário segue como personagem eleitoral
A decisão de Moraes de suspender a lei da dosimetria serviu de combustível instantâneo para a ofensiva política. Juridicamente, é uma discussão sobre constitucionalidade. Politicamente, virou mais um capítulo da narrativa segundo a qual o STF não apenas julga, mas interfere no tabuleiro da sucessão. E, goste-se ou não dessa leitura, ela tem potência eleitoral evidente.
Pacheco é o retrato da política que evita o risco
Do outro lado, a hesitação de Rodrigo Pacheco entre concorrer em Minas e migrar para o TCU também diz muito sobre o momento brasileiro. A eleição ficou cara, dura, polarizada e imprevisível. Em situações assim, muitos atores preferem o abrigo institucional ao teste das urnas. Não é covardia; é cálculo. Mas também é sintoma de uma política em que o poder, cada vez mais, é disputado fora do voto popular imediato.
A campanha já está em curso, mas por outros meios
A verdade é simples: 2026 já começou. Não com jingles, santinhos ou convenções, mas com guerra de narrativa, ocupação de espaços institucionais, teste de força entre Poderes e cálculo cirúrgico sobre onde vale a pena se expor. Quem ainda acha que a campanha começa só quando a Justiça Eleitoral autorizar a propaganda está olhando para o lugar errado.
A política brasileira entrou numa fase em que a eleição será decidida tanto nas urnas quanto no controle do ambiente institucional antes delas. Congresso, STF, TCU, palanques estaduais e redes sociais já fazem parte do mesmo tabuleiro. E quem entender isso antes terá vantagem. Quem não entender, chegará atrasado a uma disputa que já começou.
